Saltar para o conteúdo
Cantos mais sossegados

Itinerário para um Dia de Chuva no Porto

Fique seco no Porto com um percurso coberto por mercados, museus, túneis e caves de vinho do Porto.

Escrito por
Miguel Enes
Publicado
Tempo de leitura
13 min de leitura

Miguel Enes — Mais de 15 anos a construir software e a transformar sistemas complexos em ferramentas simples e fiáveis para hóspedes.

Contacto do editor

Porto For You

info@portoforyou.com

Contactar a Porto For You

Azulejos da Ribeira molhados pela chuva e toldos sobre o Douro
Fotografia de Sava Bobov · Unsplash

Comece com um café sob o toldo do Bolhão

Quando a chuva começa no Porto, dirija-se ao Mercado do Bolhão, na Rua Formosa. O mercado restaurado mantém a estrutura de ferro e o teto de vidro, por isso pode percorrer as bancas sem abrir o guarda-chuva. Compre uma bica num balcão e observe os peixeiros a embrulhar o bacalhau em papel. O mercado abre cedo e os vendedores de produtos frescos terminam ao início da tarde, por isso chegue antes das 11:00 para ver a mostra completa. O mercado é um lugar de trabalho, não uma atração turística, por isso verá locais a fazer as suas compras diárias. O rés do chão é para frutas, legumes e flores, enquanto as galerias superiores albergam talhos e peixarias. O teto de vidro deixa entrar uma luz suave e acinzentada, e o ar cheira a pedra molhada e ervas frescas. Não tenha pressa e percorra todos os corredores, porque as bancas estão dispostas numa grelha que recompensa um passeio lento. Se tiver fome, o mercado tem alguns pequenos espaços de restauração que servem pequenos-almoços e snacks ligeiros. Um pastel de nata com um café é um começo clássico, e o pastel é melhor comido quente. O mercado está mais movimentado de manhã, por isso o barulho dos vendedores e o bater das caixas vão envolvê-lo. Este é um bom sítio para comprar um frasco de mel local ou um saco de frutos secos para mais tarde. O mercado também é um abrigo da chuva, e pode esperar por um aguaceiro mais forte sob o vidro enquanto bebe o café.

Do Bolhão, caminhe dois quarteirões para sul até à Rua de Santa Catarina. As arcadas cobertas desta rua estendem-se por vários quarteirões, permitindo-lhe comprar linho, sapatos e cerâmica sem se molhar. As arcadas são uma série de beirais e colunatas que protegem as montras, e pode percorrer a rua de uma ponta à outra sem pisar a chuva. A rua é uma das principais artérias comerciais do Porto, e está sempre cheia de locais e visitantes. Vai passar por lojas de roupa, sapatarias e lojas de souvenirs, mas as montras mais interessantes são as tradicionais que vendem azulejos e loiça pintada à mão. Se precisar de uma pausa mais longa, entre no Café Majestic, na mesma rua. O interior é dourado e espelhado, e os empregados esperam que peça alguma coisa, por isso sente-se e peça uma torrada ou um copo de vinho. O café é uma relíquia da Belle Époque, com cadeiras de veludo e mesas de mármore, e é um lugar para demorar, não para apressar. Os preços são mais altos do que num café típico, mas a experiência vale a pena pela atmosfera. As janelas dão para a rua molhada, e pode ver os guarda-chuvas a passar enquanto aquece as mãos numa chávena de chá. Este começo dá-lhe uma entrada lenta e seca no dia, e define um ritmo que o acompanhará pelo resto do itinerário.

Atravesse o túnel até São Bento e à catedral

Depois do mercado, caminhe para sul pela Rua 31 de Janeiro em direção à estação de São Bento. A rua é uma descida suave, e os edifícios de ambos os lados oferecem alguma proteção da chuva. O átrio principal da estação é coberto por painéis de azulejos azuis e brancos que mostram cenas de transportes e da vida rural. Pode ficar sob o relógio e ler os painéis sem se molhar. Os painéis foram instalados no início do século XX e retratam cenas da história portuguesa, incluindo a Batalha de Valdevez e a conquista de Ceuta. A estação é um centro em funcionamento, por isso mantenha a mala por perto e deixe os passageiros passar. O átrio está sempre cheio, mas a multidão move-se rapidamente, e pode encontrar um lugar junto às paredes para admirar os azulejos. Os azulejos são de um azul profundo sobre fundo branco, e cobrem as paredes até ao teto. O efeito é imersivo, e pode passar uns bons vinte minutos a seguir as histórias nos azulejos. Se estiver interessado na arte dos azulejos, pode querer juntar-se a uma visita guiada focada nos azulejos da cidade, como uma caminhada pela arquitetura dos azulejos no Porto que o leva a outras fachadas e interiores revestidos a azulejo.

De São Bento, pegue no túnel pedonal que liga a estação à colina da catedral. O túnel é curto e iluminado, e sai perto da Sé do Porto. O túnel é uma passagem prática que evita subir as ruas íngremes à chuva, e é usado por locais e turistas. O claustro da catedral é parcialmente coberto, e o terraço oferece uma vista sobre os telhados da Ribeira, mas a chuva vai desfocar o rio. Se o aguaceiro for forte, salte o terraço e passe tempo dentro da catedral, onde o retábulo dourado e os crucifixos processionais de prata merecem uma olhada lenta. A catedral é um edifício românico que foi modificado ao longo dos séculos, e o seu interior é uma mistura de estilos. A capela-mor é decorada com um grande retábulo de prata que é uma obra-prima da ourivesaria portuguesa. O claustro é um espaço tranquilo com um pequeno jardim, e as paredes são revestidas com painéis de azulejos que retratam cenas da vida da Virgem Maria. A catedral é um local de culto, por isso seja respeitoso e mantenha a voz baixa. Este percurso mantém-no coberto durante a maior parte do caminho, e sairá na catedral com a sensação de ter viajado pelas camadas da cidade.

Almoço sob as arcadas da Ribeira

Da catedral, desça os degraus de pedra até à Ribeira. A praça ribeirinha está repleta de restaurantes com arcadas profundas, por isso pode comer ao ar livre sem se molhar. As arcadas são suportadas por colunas de granito e criam um passadiço coberto ao longo da margem do rio. Os restaurantes colocam as mesas sob estas arcadas, e os empregados estão habituados à chuva, por isso sentam-no num local protegido do vento. Procure um sítio que sirva francesinha, o sanduíche local empilhado com fiambre, salsicha e bife, coberto com queijo derretido e um molho de tomate e cerveja. O molho é pesado, por isso partilhe se não tiver muita fome. Uma tigela de caldo verde, a sopa de batata e couve, é uma opção mais leve que aquece rapidamente. A sopa é feita com couve finamente fatiada, batatas e uma rodela de chouriço, e é um prato de conforto português. Os restaurantes na Ribeira são orientados para turistas, mas a comida é boa, e o cenário é imbatível. Pode ver os barcos rabelos a baloiçar no Douro enquanto come, e a chuva adiciona um pano de fundo dramático à cena.

Depois do almoço, caminhe ao longo do Cais da Ribeira sob os beirais dos edifícios. As arcadas continuam por alguns quarteirões, e pode ver os barcos rabelos a baloiçar no Douro. Os barcos são de fundo chato com uma vela quadrada distinta, e eram usados para transportar vinho do Porto do Vale do Douro para as caves em Gaia. Agora são usados para cruzeiros fluviais, e pode vê-los alinhados ao longo do cais. Se a chuva diminuir, atravesse a ponte Dom Luís I pelo tabuleiro inferior para Vila Nova de Gaia. O passadiço inferior da ponte é exposto, por isso espere por uma pausa. A ponte é uma estrutura de ferro de dois tabuleiros, desenhada por um aluno de Gustave Eiffel, e oferece vistas deslumbrantes sobre o rio e a cidade. No lado de Gaia, as caves de vinho do Porto ficam na colina, e a maioria oferece visitas que o mantêm dentro de portas. Também pode juntar-se a uma prova guiada que explica a diferença entre tawny e ruby. Para um percurso estruturado, considere uma caminhada gastronómica pela Ribeira que cobre os restaurantes das arcadas e as bancas do mercado. A caminhada levá-lo-á a lugares que talvez não encontrasse sozinho, e é uma boa forma de provar uma variedade de pratos.

Visite uma cave de vinho do Porto em Gaia

Em Gaia, as caves de vinho do Porto estão agrupadas ao longo da Avenida Diogo Leite e nas ruas acima. Escolha uma cave que ofereça visita guiada, porque as visitas levam-no às caves onde os barris envelhecem no ar fresco e húmido. As caves são naturalmente húmidas, o que é perfeito para o vinho, e a temperatura mantém-se estável, por isso sentir-se-á confortável mesmo que a chuva esteja fria lá fora. A maioria das visitas dura cerca de uma hora e termina com uma prova de dois ou três vinhos do Porto. Os guias explicam a história do vinho do Porto, desde as vinhas no Vale do Douro até ao processo de envelhecimento nas caves. Verá filas de barris de carvalho, alguns com décadas, e aprenderá sobre os diferentes estilos de vinho do Porto, incluindo ruby, tawny e vintage. As caves são mal iluminadas, e o ar está carregado com o cheiro de vinho e madeira. A visita é uma experiência sensorial, e é uma ótima maneira de passar uma tarde chuvosa.

Se preferir uma experiência mais abrangente, reserve uma prova de vinho do Porto em Gaia que inclua um guia e uma variedade de estilos. As caves estão todas a menos de dez minutos a pé umas das outras, por isso pode comparar um pequeno produtor com um grande. Algumas caves pertencem à mesma família há gerações, enquanto outras são propriedade de empresas internacionais. A prova dar-lhe-á a oportunidade de experimentar uma variedade de vinhos do Porto, desde um branco seco a um vintage doce. Depois da prova, pegue no teleférico da margem do rio até ao topo de Gaia, mas note que o teleférico é exposto, por isso só ande se a chuva for ligeira. Caso contrário, volte a atravessar a ponte pelo tabuleiro superior, que é coberto pela estrutura de ferro da ponte, e desfrute da vista sobre a cidade molhada. O tabuleiro superior é usado pelo metro, mas há um passadiço pedonal protegido da chuva pela estrutura da ponte. A vista do topo é panorâmica, e pode ver a cidade inteira estendida abaixo, com o rio a serpentear por ela.

Visite o museu Serralves e os seus passadiços cobertos

Se a chuva persistir durante a tarde, apanhe o autocarro 502 dos Aliados para o museu Serralves. A viagem de autocarro demora cerca de 20 minutos, e o museu é um edifício moderno com um interior minimalista que parece espaçoso num dia cinzento. A coleção permanente foca-se em arte contemporânea, e as exposições temporárias mudam regularmente. O café do museu é um bom lugar para descansar, com grandes janelas com vista para os jardins. O museu está situado num grande parque, e o próprio edifício é uma obra de arte, com linhas limpas e luz natural. As galerias são espaçosas, e pode vaguear por elas ao seu próprio ritmo. A arte é instigante, e oferece um contraste com os edifícios históricos que viu mais cedo no dia. O museu é um destaque cultural do Porto, e é um destino popular tanto para locais como para visitantes.

Os jardins de Serralves são extensos, mas a chuva tornará os caminhos lamacentos. Em vez disso, percorra o passadiço coberto que liga o museu à vila, uma mansão cor-de-rosa Art Déco que alberga uma pequena coleção de artes decorativas. O passadiço tem teto de vidro, por isso pode ver as árvores enquanto se mantém seco. A vila é um belo exemplo de arquitetura Art Déco, com salas elegantes e mobiliário de época. A coleção inclui cerâmica, vidro e têxteis, e dá-lhe uma ideia de como os ricos viviam no início do século XX. Se tiver tempo, a biblioteca na vila é tranquila e acolhedora, e pode folhear os livros de arte. A biblioteca é um lugar pacífico para escapar à chuva, e é um bom local para refletir sobre o dia. Esta é uma parte mais lenta e contemplativa do dia, e equilibra as multidões anteriores. Depois de visitar o museu e a vila, pode apanhar o autocarro de volta ao centro da cidade, ou se a chuva tiver parado, pode caminhar pelos jardins e desfrutar do ar fresco.

Jante num mercado coberto ou numa tasca tradicional

Para o jantar, volte ao centro da cidade e procure uma tasca, um pequeno restaurante familiar que serve comida portuguesa caseira. Muitas tascas ficam na Rua de Miguel Bombarda ou no bairro de Cedofeita, e muitas têm algumas mesas sob toldos ou num pátio coberto. Peça sardinhas grelhadas se estiverem na época, ou um prato de bacalhau à brás, que é bacalhau desfiado com batatas e ovos. As porções são generosas, e o pão e as azeitonas chegam sem pedir, mas paga-se por eles, por isso coma-os se quiser evitar a cobrança. As tascas são informais, e o serviço é simpático. Muitas vezes será o único turista na sala, e os outros clientes serão locais que vêm há anos. A comida é simples mas deliciosa, e é um verdadeiro sabor do Porto. A lista de vinhos é geralmente curta, mas o vinho da casa é bom e barato.

Se preferir um ambiente mais casual, o Mercado do Bolhão tem uma praça de alimentação que fica aberta até à noite em alguns dias. As bancas servem petiscos, pequenos pratos para partilhar, e pode experimentar uma variedade de vinhos a copo. O teto de vidro do mercado mantém a chuva fora, e a atmosfera é animada. A praça de alimentação é uma adição recente ao mercado, e tornou-se um local popular para os locais se encontrarem depois do trabalho. Pode pedir um prato de alheira, uma salsicha fumada feita com pão e carne, ou uma porção de pataniscas, que são pastéis de bacalhau. As porções são pequenas, por isso pode experimentar vários pratos. Depois do jantar, dê um pequeno passeio até à estação de São Bento para ver os painéis de azulejos iluminados à noite, que é uma experiência diferente da vista diurna. A estação está tranquila depois dos últimos comboios, por isso pode ficar de pé e admirar os azulejos sem a multidão. A iluminação é mais suave, e os azulejos parecem brilhar na luz ténue.

Termine com uma bebida num bar coberto

Termine o dia com uma bebida num bar com terraço coberto ou sala interior. A Ribeira tem vários bares com janelas viradas para o rio, mas enchem rapidamente, por isso chegue antes das 22:00. Em alternativa, a zona da Torre dos Clérigos tem bares na Rua das Flores, uma rua estreita com toldos que protegem da chuva. Peça um copo de vinho do Porto ou uma ginjinha, um licor de ginja, e veja a chuva a escorrer pelas janelas. Os bares desta zona são uma mistura de tradicionais e modernos, e pode encontrar um canto tranquilo para relaxar. A ginjinha é frequentemente servida numa pequena taça de chocolate, que pode comer depois de beber o licor. É uma bebida doce e quente, perfeita para uma noite chuvosa.

Se estiver hospedado perto dos Aliados, o Café Majestic está aberto até tarde e oferece um ambiente tranquilo e ornamentado para um último café ou um copo de vinho. Os empregados estão habituados a viajantes, e pode demorar sem se sentir apressado. O café é um marco por si só, e é um fim apropriado para um dia de exploração. Ao voltar para o seu alojamento, os paralelepípedos molhados refletem as luzes da rua, e a cidade parece íntima. Passou o dia dentro de portas, mas viu as camadas do Porto que muitas vezes são perdidas com bom tempo. A chuva deu-lhe uma razão para abrandar e olhar mais de perto, e descobriu que o Porto é uma cidade que se vive melhor a um ritmo calmo. Da próxima vez que chover, saberá exatamente para onde ir.

Bom saber

Qual é a melhor forma de me deslocar no Porto num dia de chuva?

Use o metro e os autocarros para distâncias maiores, e caminhe sob arcadas e toldos para curtas distâncias. O metro circula subterrâneo no centro, e o autocarro 500 vai ao longo do rio. Táxis e aplicações de transporte são fáceis de encontrar se preferir um serviço porta-a-porta.

As caves de vinho do Porto estão abertas à chuva?

Sim, as caves estão abertas todo o ano, e as visitas são dentro de portas. As caves são naturalmente húmidas, por isso a chuva não as afeta. Verifique os horários de abertura de cada cave, pois variam consoante a época.

Posso visitar a estação de São Bento sem bilhete?

Sim, a estação é um edifício público, e o átrio principal está aberto a todos. Pode entrar e ver os painéis de azulejos gratuitamente. As plataformas também são acessíveis, mas precisa de bilhete para passar as cancelas.

O que devo vestir para um dia de chuva no Porto?

Use sapatos impermeáveis com boa aderência, porque os paralelepípedos ficam escorregadios. Traga um guarda-chuva compacto e uma capa de chuva leve, pois a chuva pode ser intermitente. Camadas são úteis porque a temperatura pode variar entre a margem do rio e as colinas.

Há outros mercados interiores além do Bolhão?

O Mercado do Bolhão é o principal mercado coberto. Há também o Mercado Ferreira Borges, perto da Ribeira, que acolhe eventos e tem um salão coberto, mas não é um mercado de comida diário. Consulte a programação para mercados temporários.

Partilhar este artigo

Útil para planear?

Receba notas como esta uma vez por mês.

Interesses (opcional)

Ajuda-nos a enviar notas alinhadas com o que lhe interessa.

Utilizaremos o seu email apenas para enviar notas do Porto e atualizações de experiências, cerca de uma vez por mês. Sem spam, sem partilha. Pode cancelar a qualquer momento.

← Todos os artigos