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Cantos mais sossegados

Um Plano Tranquilo de Dois Dias no Porto para Casais

Um fim de semana no Porto com logística em primeiro lugar, para dois, com ordem de bairros, transportes e refeições.

Escrito por
Miguel Enes
Publicado
Tempo de leitura
13 min de leitura

Miguel Enes — Mais de 15 anos a construir software e a transformar sistemas complexos em ferramentas simples e fiáveis para hóspedes.

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Margem do Douro com barcos rabelo tradicionais e caves de Vila Nova de Gaia à hora dourada
Fotografia de Nick Karvounis · Unsplash

Escolher uma base perto dos Aliados

Comece o fim de semana instalando-se num hotel ou apartamento a cinco minutos a pé da Praça da Liberdade. Isto coloca-o no eixo plano entre o rio e as ruas comerciais, permitindo-lhe voltar a meio da tarde para descansar sem subir as colinas duas vezes. A Rua de Santa Catarina, a Rua do Almada e a Rua de Cedofeita partem todas desta praça, e cada uma oferece uma atmosfera diferente ao fim da tarde. Dos Aliados, a estação de São Bento fica a dez minutos a descer, e a Ribeira é mais cinco minutos para além disso. A praça em si é ladeada por edifícios imponentes, incluindo a câmara municipal, e os jardins no centro são um local agradável para se sentar com um café de um quiosque próximo. No final da tarde, a luz suaviza as fachadas de granito, e o som dos elétricos a passar na Rua dos Clérigos torna-se um zumbido de fundo suave.

Se preferir uma manhã mais calma, escolha um quarto na Rua de Cedofeita. A rua enche-se de pequenas galerias e cafés, mas as ruas laterais mantêm-se tranquilas até tarde. Acordará com o som dos elétricos na Rua dos Clérigos em vez de carrinhas de entregas. Peça ao anfitrião um quarto virado para o pátio interior, se o edifício tiver um. Para um primeiro fim de semana no Porto, a conveniência dos Aliados supera o charme de um quarto junto ao rio, porque pode caminhar para todo o lado e deixar a bagagem guardada até à partida. A zona também tem excelentes ligações de transporte: a estação de metro da Trindade fica a cinco minutos a pé para norte, e a estação de São Bento fica a leste, em direção ao rio. Se chegar de comboio a Campanhã, apanhe o metro diretamente para a Trindade e caminhe até ao alojamento, evitando a subida íngreme a partir do rio. Muitos apartamentos nesta área estão em edifícios renovados com azulejos originais, por isso tem uma ideia do caráter da cidade sem sacrificar o conforto.

Manhã: Azulejos e um pequeno-almoço lento

Comece o primeiro dia na Estação de São Bento, a dois minutos dos Aliados. O átrio principal da estação contém mais de vinte mil azulejos azuis e brancos que retratam a história portuguesa, desde a Batalha de Valdevez até à vida quotidiana da região do Minho. Fique no centro do átrio e olhe para cima; os painéis envolvem as paredes superiores, e a luz das janelas altas faz os azuis mudarem à medida que se move. Chegue antes das 9h30 para ver o átrio sem grupos de turistas. Depois, caminhe um quarteirão para norte até à Rua 31 de Janeiro e siga para leste até chegar à Igreja de Santo Ildefonso, cuja fachada está toda coberta de azulejos. A igreja é muitas vezes esquecida em favor da estação, mas os seus painéis de azulejos são igualmente impressionantes, e a praça em frente está tranquila de manhã. Se tiver tempo, entre para ver o altar dourado, que contrasta com o exterior azul.

Para o pequeno-almoço, entre numa pastelaria na Rua de Santa Catarina, como a histórica Confeitaria do Bolhão, e peça uma tosta mista e um galão. Sente-se ao balcão e observe a rotina matinal dos locais a comprar pão e jornais. Se preferir um começo mais leve, compre um pão de deus numa padaria na Rua de Cedofeita e coma-o num banco no Jardim da Cordoaria, a cinco minutos a pé para oeste. Os plátanos do jardim fornecem sombra, e a vista da Torre dos Clérigos a partir do lado sul é uma das melhores da cidade. Depois do pequeno-almoço, junte-se a uma visita guiada de azulejos e arquitetura para aprender as histórias por trás dos azulejos que acabou de ver. A visita normalmente cobre a estação, a igreja e várias outras fachadas de azulejos no centro, e dá-lhe uma apreciação mais profunda da forma de arte. Também passará pela Livraria Lello, mas a fila é longa, por isso pode escolher admirar o exterior e seguir em frente.

Fim da manhã: Bolhão e um almoço no mercado

Volte para leste ao longo da Rua de Santa Catarina até chegar ao Mercado do Bolhão, que reabriu em 2022 após uma longa restauração. Os dois pisos do mercado albergam peixarias, talhos, bancas de fruta e alguns pequenos espaços de restauração. Passeie pelos corredores e compre um saco de cerejas ou uma cunha de queijo Serra da Estrela para mais tarde. A galeria superior dá uma boa vista da atividade abaixo, e o telhado de ferro e vidro mantém o espaço luminoso mesmo em dias nublados. O mercado é um mercado de trabalho, não uma atração turística, por isso verá locais a fazer as suas compras semanais. Os vendedores são simpáticos e podem oferecer-lhe uma amostra de fruta ou queijo. Leve o seu tempo a explorar todos os cantos, desde a banca de flores perto da entrada até ao vendedor de azeite no fundo.

Para o almoço, fique dentro do mercado e peça uma bifana num dos balcões que servem sandes de porco com mostarda. Acompanhe com um copo de vinho verde da banca de vinhos próxima. Se preferir peixe, vá ao piso térreo e escolha uma banca que grelhe sardinhas numa pequena grelha de carvão; o cheiro guiá-lo-á. Coma de pé ao balcão, como fazem os locais, e termine com um pastel de nata da pastelaria à entrada do mercado. Esta refeição é rápida e barata, deixando-lhe tempo para uma tarde lenta. Depois do almoço, pode explorar as lojas na Rua de Santa Catarina, que é a principal rua comercial, ou visitar a Capela das Almas, uma capela coberta de azulejos azuis, a poucos passos do mercado. A fachada da capela é uma das mais fotografadas do Porto, mas o interior é igualmente sereno, com um altar simples e bancos de madeira.

Tarde: Ribeira e um cruzeiro de rabelo

Do Bolhão, desça a Rua de Mouzinho da Silveira, que se torna Rua da Alfândega à medida que se aproxima do rio. A descida leva cerca de quinze minutos e passa pelo Palácio da Bolsa, cuja fachada neoclássica merece uma pausa. Continue até ao Cais da Ribeira, onde as casas antigas com os seus estendais e fachadas de azulejos enfrentam o Douro. Encontre um banco perto da estátua do Infante Dom Henrique e observe os barcos rabelo a transportar turistas para Vila Nova de Gaia. A brisa do rio torna este local agradável mesmo em agosto, quando o calor da cidade pode ser intenso. A Ribeira é a parte mais antiga do Porto, e as suas ruas estreitas estão repletas de restaurantes e lojas de souvenirs, mas a praça principal é dominada pela vista do rio. Se quiser um local mais tranquilo, caminhe alguns minutos para leste ao longo do rio até ao Cais da Estiva, onde as multidões diminuem.

A meio da tarde, embarque num barco rabelo para um curto cruzeiro no Douro. Estes barcos de fundo chato transportavam outrora barris de vinho das vinhas para as caves em Gaia, e hoje oferecem uma vista relaxada da cidade a partir da água. Escolha um cruzeiro que dure cerca de cinquenta minutos e parta do Cais da Ribeira. Sente-se no convés aberto, não sob o toldo, para sentir o sol e o spray. O cruzeiro passa sob a ponte Dom Luís I e vira antes de o rio estreitar, dando-lhe uma vista clara da catedral e do mosteiro da Serra do Pilar. O guia apontará os principais marcos e partilhará histórias sobre o comércio do vinho. Após o cruzeiro, atravesse o tabuleiro superior da ponte a pé até Gaia para uma prova de vinho do Porto. A caminhada pela ponte é uma experiência em si, com a cidade espalhada abaixo e o rio a brilhar na luz da tarde.

Fim do dia: Prova de vinho do Porto em Gaia

Atravesse a ponte Dom Luís I no tabuleiro superior, que é reservado para peões e para o metro. A caminhada leva cerca de dez minutos e oferece uma vista panorâmica da Ribeira abaixo. No lado de Gaia, encontrará as caves de vinho do Porto ao longo da Avenida Diogo Leite e da Rua do Choupelo. Muitas oferecem provas guiadas, mas também pode simplesmente entrar numa cave e pedir uma prova. Para uma experiência mais tranquila, escolha uma cave mais pequena como a Ferreira ou a Cálem, que têm terraços com vista para o rio. Reserve uma prova com antecedência em agosto, pois os grupos enchem as casas populares no final da tarde. A prova normalmente inclui três ou quatro vinhos do Porto, desde um branco seco a um tawny rico, e o pessoal explicará as diferenças no envelhecimento e no lote. Também pode visitar as caves, onde os barris estão empilhados em longas filas, e o ar é fresco e perfumado com vinho.

Após a prova, fique em Gaia para o jantar. Os restaurantes à beira-rio no lado de Gaia tendem a estar menos cheios do que os da Ribeira, e oferecem a mesma vista da cidade iluminada através da água. Peça uma francesinha, a sandes do Porto com camadas de pão, fiambre, salsicha e bife, coberta com queijo derretido e um molho de tomate e cerveja. É pesada, por isso partilhe uma entre os dois. Termine com um copo de vinho do Porto tawny e observe as luzes da Ribeira a refletirem-se no rio. Volte a atravessar a ponte no tabuleiro inferior, que está mais perto da água e é menos ventoso. O tabuleiro inferior também é usado por carros, mas há um passeio para peões, e a vista da estrutura de ferro da ponte a partir de baixo é impressionante. Se não estiver pronto para terminar a noite, pare num bar na Ribeira para uma bebida, mas esteja preparado para multidões, pois a área fica animada até tarde.

Segundo dia: Matosinhos e a costa

Na segunda manhã, apanhe o metro na estação da Trindade até Matosinhos Sul, uma viagem de cerca de vinte e cinco minutos na linha A. O metro emerge do túnel perto da praia, e sentirá imediatamente o cheiro do mar. Caminhe ao longo do passeio marítimo em direção ao porto de pesca, onde a pesca do dia é descarregada. O mercado do peixe está movimentado até meio da manhã, e os restaurantes próximos montam os seus grelhadores no passeio ao meio-dia. Para um pequeno-almoço tardio, pare num café na Rua dos Heróis de França e peça uma bica e um croissant. A rua é a principal artéria gastronómica de Matosinhos, ladeada por restaurantes de marisco que vão do casual ao requintado. Se estiver interessado numa experiência de marisco guiada, pode reservar um almoço de marisco em Matosinhos que o leva aos melhores sítios.

Passe a manhã a caminhar pela praia de Matosinhos até à Foz do Douro, um percurso de cerca de três quilómetros ao longo do Atlântico. O caminho é plano e passa pela Pérgola da Foz, um passeio sombreado com vistas para o oceano e para a foz do Douro. Na Foz, suba as escadas até ao Jardim do Passeio Alegre, um jardim com palmeiras e uma vista para o farol. Se o tempo estiver quente, molhe os pés na água na Praia dos Ingleses, mas saiba que o Atlântico é frio mesmo em agosto. A praia é popular entre os surfistas, e pode vê-los a apanhar ondas do passeio. Para o almoço, volte a Matosinhos e escolha um restaurante de marisco na Rua das Heróis de França. Peça o robalo grelhado ou o arroz de marisco, e partilhe uma garrafa de vinho branco da região dos Vinhos Verdes. Esta refeição é o ponto alto da costa, por isso leve o seu tempo. Os restaurantes estão cheios ao meio-dia, por isso chegue cedo ou reserve uma mesa com antecedência.

Tarde: Foz e um regresso tranquilo

Depois do almoço, caminhe de volta para a Foz e encontre um banco no Jardim do Passeio Alegre. O jardim é um local popular para casais, e o som das ondas mascara o ruído da cidade. Se quiser explorar mais, caminhe até ao Farolim de Felgueiras, o pequeno farol na foz do Douro, e observe os surfistas a apanhar ondas. A caminhada do jardim ao farol leva cerca de quinze minutos ao longo do passeio. A partir daí, pode apanhar o autocarro 500 de volta aos Aliados, que corre ao longo do rio e leva cerca de trinta minutos. O autocarro é frequente, mas durante os fins de semana de verão pode estar cheio, por isso considere apanhar o metro de Matosinhos. O metro é mais rápido e confortável, e deixa-o na Trindade, a uma curta caminhada do seu hotel.

Para a sua última noite, volte à Ribeira e encontre uma mesa num restaurante na Rua de São João Novo, uma rua mais tranquila acima do rio. Peça uma refeição simples de peixe grelhado ou um prato vegetariano, e partilhe uma garrafa de tinto do Douro. Depois do jantar, suba até ao Miradouro da Vitória, um miradouro perto da catedral que oferece uma vista ampla das luzes da cidade. O miradouro fica a cinco minutos a pé do restaurante, e normalmente está pouco movimentado à noite. Sente-se no muro de pedra e ouça a música de fado a flutuar de uma casa próxima. Esta é uma forma calma de terminar o seu fim de semana no Porto, sem as multidões da praça principal. Se tiver energia, pode também visitar o Jardim da Cordoaria, que está iluminado à noite e oferece uma perspetiva diferente da Torre dos Clérigos.

Dicas práticas para um fim de semana tranquilo

Leve uma garrafa de água reutilizável e encha-a nas fontes públicas dos jardins, como a do Jardim da Cordoaria. A água da torneira no Porto é segura para beber e sabe bem. Use sapatos confortáveis com boa aderência, pois as ruas são frequentemente empedradas e podem ser escorregadias após a chuva. Em agosto, o sol é forte, por isso leve protetor solar e chapéu, mas também um casaco leve para as noites, quando a brisa atlântica pode ser fresca. A cidade é montanhosa, por isso esteja preparado para subidas, mas as vistas do topo valem o esforço. Se tiver problemas de mobilidade, use o metro e os autocarros, que são acessíveis, e apanhe táxis para distâncias curtas.

Para se deslocar, o metro e os autocarros são eficientes, mas caminhar é a melhor forma de descobrir os detalhes da cidade. Compre um cartão Andante recarregável em qualquer estação de metro e carregue-o com algumas viagens; funciona em autocarros e elétricos também. Os táxis são abundantes e com preços razoáveis, mas evite apanhar um na Ribeira durante as horas de ponta, pois o trânsito pode ser intenso. Se planeia visitar o Vale do Douro, considere reservar uma viagem de um dia com antecedência, pois agosto é movimentado. Para um guia privado no vale, pode contactar a Porto For You para organizar um itinerário personalizado. Da mesma forma, para um passeio gastronómico relaxado na Ribeira, um passeio gastronómico pela Ribeira pode apresentar-lhe os melhores petiscos sem adivinhação. Para um cruzeiro no rio, também pode considerar um cruzeiro de rabelo no Douro que parte da Ribeira. E se quiser explorar as caves de vinho do Porto em profundidade, uma prova de vinho do Porto nas caves de Gaia oferece uma experiência guiada. Para uma viagem de um dia completo, uma viagem de um dia ao Vale do Douro leva-o até às vinhas. Cada uma destas experiências pode ser reservada através da Porto For You, mas também estão disponíveis de forma independente.

Bom saber

Qual é a melhor zona para ficar no Porto para um casal?

Fique perto dos Aliados ou da Rua de Cedofeita para ter fácil acesso a pé ao rio e aos principais pontos turísticos. Estas áreas são centrais mas mais tranquilas do que a Ribeira, e pode chegar rapidamente ao metro na Trindade ou em São Bento.

Quantos dias são necessários para visitar o Porto?

Dois dias completos são suficientes para ver os principais pontos turísticos e desfrutar de um ritmo relaxado. Se quiser incluir uma viagem ao Vale do Douro ou um dia de praia, adicione um terceiro dia.

É fácil ir do Porto à praia?

Sim, apanhe o metro da linha A até Matosinhos Sul, que leva cerca de 25 minutos a partir da Trindade. Alternativamente, o autocarro 500 vai dos Aliados ao longo do rio até à Foz e Matosinhos.

O que devemos comer no Porto?

Experimente uma francesinha, sardinhas grelhadas e um pastel de nata. Para uma refeição de marisco, vá a Matosinhos. Para um lanche rápido, peça uma bifana no Mercado do Bolhão.

Precisamos de reservar provas de vinho do Porto com antecedência?

Em agosto, é aconselhável reservar uma prova numa cave em Gaia com antecedência, especialmente para casas populares. Caves mais pequenas como a Ferreira ou a Cálem muitas vezes têm disponibilidade no dia, mas reservar garante um lugar.

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