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Comida e vinho

Café no Porto: O Que Pedir e Como as Pausas para Café se Encaixam no Dia

Guia prático para a cultura do café no Porto: o que pedir, quando fazer uma pausa e como os cafés se encaixam no seu itinerário. Inclui termos locais, horários e paragens por bairro.

Escrito por
Miguel Enes
Publicado
Tempo de leitura
10 min de leitura

Miguel Enes — Mais de 15 anos a construir software e a transformar sistemas complexos em ferramentas simples e fiáveis para hóspedes.

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Chávena de café expresso e pastel de nata sobre um balcão de mármore num café do Porto
Fotografia de Rostyslav Savchyn · Unsplash

O Léxico do Café de que Precisa

No Porto, o café pede-se ao balcão, não à mesa. Aproxime-se, diga o que quer, pague e beba de pé ou numa pequena saliência lateral. O pedido mais comum é *um cimbalino* – um café expresso servido numa chávena pequena de porcelana. Se quiser um duplo, peça *um cimbalino duplo* ou *um cimbalino cheio* (um simples mais cheio). Para café com leite, *um galão* é um copo alto de leite quente com um shot de café expresso – semelhante a um latte, mas servido num copo. *Uma meia de leite* é metade leite, metade café numa chávena de cerâmica, mais próxima de um cortado. Evite pedir um cappuccino depois das 11h; os locais raramente bebem café com leite após o pequeno-almoço. Se quiser café gelado, peça *um café gelado* – virá como um expresso frio com gelo, por vezes com leite à parte. Conhecer estes termos ajudá-lo-á a pedir com confiança em qualquer café do Porto, esteja na Ribeira ou perto do mercado do Bolhão.

Outro termo útil é *um abatanado* – um café expresso longo, semelhante a um americano, mas feito ao extrair um shot mais longo. É menos comum, mas disponível nalguns cafés. Se quiser descafeinado, diga *um descafeinado*. Para um café com um fio de leite, peça *um pingado*. É um pequeno expresso com uma gota de leite, servido numa chávena de meia xícara. Também ouvirá *um carioca* – um café fraco feito ao passar água pelos mesmos grãos uma segunda vez. Não é comum no Porto, mas alguns cafés antigos servem-no. Pratique estas frases antes da viagem e parecerá um local em qualquer pastelaria ou tasca.

O pagamento é geralmente ao balcão antes de beber. Alguns sítios permitem pagar depois, mas é mais seguro pagar primeiro. Tenha moedas à mão; muitos cafés não aceitam cartões para valores inferiores a 5€. Se se sentar à mesa, pode haver um pequeno suplemento de 0,10€ a 0,30€. Consulte o quadro de preços antes de se sentar. Não é esperada gorjeta, mas arredondar para o euro mais próximo é apreciado. Agora que sabe o básico, pode navegar em qualquer paragem para café no Porto com facilidade.

Manhã: Pequeno-Almoço numa Pastelaria

Comece o dia numa pastelaria, não no buffet de pequeno-almoço do hotel. Por volta das 8h, junte-se aos locais em sítios como a Confeitaria do Bolhão, na Rua Formosa 339, mesmo ao lado do mercado. Peça *um cimbalino* e um *pastel de nata* ou uma *torrada* – pão torrado com manteiga. O café vem rápido; bebe-se de pé, come-se e sai-se em 10 minutos. O pastel de nata é um pequeno pastel de ovo com canela, melhor comido fresco e quente. Se quiser algo salgado, experimente um *rissol de camarão* ou uma *francesinha* (uma sandes com fiambre, salsicha, bife e queijo derretido, embora seja mais um almoço).

Se preferir uma paragem mais longa, vá ao Café Majestic na Rua Santa Catarina. É um marco da Belle Époque com mármore e espelhos. Peça *um galão* e um *croissant misto* (tosta mista de fiambre e queijo). Espere pagar 3–4€ pelo café e pastelaria. O serviço é mais lento aqui, por isso reserve 20 minutos. Após o pequeno-almoço, está a 5 minutos a pé da visita guiada de arquitetura de azulejos no Porto. Em alternativa, caminhe até à Torre dos Clérigos, que fica a 10 minutos. A luz da manhã é boa para fotografar os azulejos azuis nas igrejas e edifícios ao longo do caminho.

Outra boa opção é a Pastelaria Tupi na Rua de Sá da Bandeira. É uma cadeia local com café e pastelaria fiáveis. Peça *uma meia de leite* e uma *bola de Berlim* (um donut recheado com creme). Os funcionários estão habituados a turistas e ajudarão se tiver dúvidas. O café abre às 7h30, por isso pode começar cedo. Daqui, o mercado do Bolhão fica a 2 minutos a pé. Pode ver as bancas depois do café. O mercado é um bom sítio para ver produtos locais e comprar frutos secos ou frutos gordos para mais tarde.

Meio da Manhã: Uma Paragem Rápida Entre Visitas

Por volta das 10h30, estará a caminhar pela Ribeira ou a subir até à Torre dos Clérigos. Em vez de fazer fila num café turístico, entre numa *tasca* – um bar pequeno e sem frescuras. Experimente A Tasquinha na Rua do Comércio do Porto, perto do Douro. Peça *um cimbalino* e um *bagaço* (aguardente de uva) se quiser um toque local. O café custa 0,70€–1,00€. A tasca tem alguns bancos ao balcão, mas a maioria das pessoas bebe de pé. É um bom sítio para observar a vida local: trabalhadores em pausa, reformados a ler jornais e amigos a conversar.

Outra paragem fiável é o Café Guarany na Avenida dos Aliados. É um espaço amplo em estilo art déco com um longo balcão. Peça *uma meia de leite* e um *bom bocado* (doce de coco e ovo). Pode sentar-se à mesa sem suplemento. Daqui, fica a 3 minutos a pé da estação de São Bento. O café é popular entre os trabalhadores de escritório, por isso pode estar cheio perto do meio-dia. Se quiser um sítio mais sossegado, caminhe até à Rua de Cedofeita, onde há vários cafés independentes. Experimente a Combi Coffee Roasters na Rua de Cedofeita 345. Servem café de especialidade e têm uma pequena área de estar. Peça um *café filtrado* se quiser uma bebida mais suave.

Se estiver perto do Rio Douro, pare no Café do Cais, do lado de Gaia. Tem mesas exteriores com vista para a Ribeira. Peça *um cimbalino* e um *pastel de nata*. O café é bom e a vista vale o preço ligeiramente mais alto (1,50€). Pode ver os barcos rabelo no rio. Daqui, pode caminhar até ao ponto de partida do Cruzeiro Rabelo no Rio Douro, que fica a 5 minutos a pé ao longo da margem.

Hora de Almoço: Café como Digestivo

Após um almoço de marisco em Matosinhos (veja almoço de marisco em Matosinhos), o café é servido após a refeição, não durante. Quando o empregado perguntar *“O que deseja para sobremesa?”*, pode saltar a sobremesa e pedir *um cimbalino*. Virá preto e forte. Se quiser um *moscatel* (vinho doce) a acompanhar, peça *um cimbalino e um moscatel*. A combinação é comum no Porto. O café corta a doçura do vinho.

Em Matosinhos, experimente o Café Santiago na Rua de Brito Capelo. É um local frequentado por residentes com bom expresso. O café vem com uma bolacha pequena. Pague ao balcão antes de sair. Se voltar ao centro do Porto depois do almoço, vá ao Cais da Ribeira para um café pós-refeição no Café do Cais – sente-se fora se o tempo permitir. O sol da tarde aquece o terraço e pode ver os barcos. Outra opção é caminhar até à Foz e sentar-se na Praia dos Ingleses. O Café do Mar tem mesas exteriores com vista para o Atlântico. Peça *um cimbalino* e um *pastel de nata* enquanto observa as ondas.

Se o almoço foi pesado, pode querer um *café com gelo*. É um expresso frio servido com um copo de cubos de gelo. Deite o café sobre o gelo e adicione açúcar se quiser. É refrescante e ajuda a digestão. Encontra-o na maioria dos cafés no verão. Peça *um café com gelo* e trarão. Não espere um café batido; é simplesmente expresso sobre gelo.

Tarde: Uma Pausa para Café com Calma

Entre as 15h e as 17h, os cafés do Porto enchem-se de pessoas em pausa. Esta é a altura para um *galão* ou um *café com leite* se precisar de leite. Evite pedir um *cimbalino* depois das 16h a menos que queira ficar acordado até tarde. Em vez disso, experimente *um chá* ou *uma limonada* se quiser algo frio. Muitos cafés servem limonada espremida na hora, especialmente no verão. É uma boa alternativa ao café se for sensível à cafeína.

Um bom local para a tarde é o café da Livraria Lello (Rua das Carmelitas 144). Precisa de um bilhete para entrar na livraria, mas o café é acessível a partir da rua. Peça *um galão* e uma *queijada de Sintra*. O espaço é ornamentado mas movimentado. Se quiser um sítio mais sossegado, vá até à Foz e sente-se na Praia dos Ingleses – o Café do Mar tem mesas exteriores com vista para o Atlântico. A brisa marítima torna-o agradável mesmo no verão. Peça *uma limonada* ou *um chá gelado*.

Outra opção é visitar uma *cervejaria* que também sirva café. Experimente a Cervejaria Brasão na Rua de Ramalho Ortigão. Têm um bom expresso e um ambiente descontraído. Pode sentar-se à mesa e observar a rua. O café custa 1,00€. Se estiver perto do mercado do Bolhão, pare novamente na Confeitaria do Bolhão para um *cimbalino* da tarde. O mercado está menos cheio à tarde e pode apreciar o café ao balcão com vista para as bancas.

Noite: Café Após o Jantar

O jantar no Porto termina por volta das 22h. O café após o jantar é comum, mas é sempre um *cimbalino* – nunca uma bebida com leite. Se estiver em Gaia após uma prova de vinho do Porto (veja prova de vinho do Porto em Gaia), pare no Café do Cais, do lado de Gaia. Fica aberto até à meia-noite. Peça *um cimbalino* e um *pastel de nata* se ainda tiver espaço. A vista da Ribeira iluminada é bonita à noite.

Na Ribeira, após uma visita gastronómica pela Ribeira, termine no Café do Cais ou num pequeno bar na Rua de São João Novo. O café será forte e servido com um copo de água. Beba-o rapidamente – não é para ser saboreado durante 20 minutos. Pague ao balcão, geralmente 0,80€–1,20€. Se quiser um digestivo, peça *um cimbalino com cheirinho* – um café com um fio de aguardente ou whisky. É um aconchego de inverno, mas disponível todo o ano.

Outra opção noturna é visitar uma *pastelaria* que fique aberta até tarde. A Pastelaria Tupi na Rua de Sá da Bandeira está aberta até às 23h. Pode pedir um *cimbalino* e um *pão de ló*. O ambiente é calmo e pode relaxar após um longo dia de passeios. Se estiver hospedado na zona de Cedofeita, experimente o Café Candelabro na Rua de Cedofeita. É um local acolhedor com bom café e uma pequena seleção de sobremesas. Servem *cimbalino* até à hora de fecho, à meia-noite.

Dicas Práticas para Amantes de Café

Leve trocos. Muitos cafés não aceitam cartões para valores inferiores a 5€. Se se sentar à mesa, pode haver um pequeno suplemento (0,10€–0,30€) – consulte o quadro de preços antes de se sentar. Não é esperada gorjeta, mas arredondar para o euro mais próximo é apreciado. Se for sensível à cafeína, peça *um descafeinado* – está amplamente disponível, mas pode saber mais fraco. Para uma experiência verdadeiramente local, peça *um cimbalino com cheirinho* – um café com um fio de aguardente ou whisky. É um aconchego de inverno, mas disponível todo o ano.

Se quiser comprar grãos de café ou café moído para levar para casa, visite uma loja de café de especialidade como a Combi Coffee Roasters na Rua de Cedofeita ou a Porto Coffee Company na Rua do Almada. Vendem grãos de origem única de torrefações portuguesas. Também pode comprar *cápsulas* para máquinas Nespresso na maioria dos supermercados. A marca local Delta é popular. Para uma lembrança, compre um saco de *café torrado* numa banca do mercado do Bolhão. É geralmente mais barato do que nas lojas de especialidade.

Lembre-se de que o café no Porto é um assunto rápido. A maioria das pessoas bebe-o de pé ao balcão em menos de cinco minutos. Se quiser demorar-se, escolha um café com serviço de mesa e esteja preparado para pagar um pouco mais. A melhor altura para um café com calma é entre as 15h e as 17h, quando a cidade abranda. Use estas pausas para descansar os pés, planear o próximo passo e observar a cidade a passar. O café é um ritual diário no Porto e, seguindo estas dicas, irá vivê-lo como um local.

Bom saber

Qual é o pedido de café mais comum no Porto?

Um cimbalino – um café expresso curto. É o pedido de café padrão a qualquer hora do dia.

Posso pedir um cappuccino no Porto?

Sim, mas é considerado uma bebida de turista. Os locais raramente o pedem depois do pequeno-almoço. Se quiser leite, peça um galão (leite quente com expresso) ou uma meia de leite (metade leite, metade café).

Quanto custa um café no Porto?

Um cimbalino custa 0,70€–1,20€ ao balcão. O serviço de mesa pode acrescentar 0,10€–0,30€. As pastelarias e tascas são mais baratas; os cafés turísticos cobram mais.

É falta de educação sentar-se à mesa sem pedir comida?

Não, mas pode pagar um pequeno suplemento pelo serviço de mesa. Beber de pé ao balcão é mais rápido e barato.

O que é um pastel de nata?

Um pequeno pastel de ovo com canela. É o acompanhamento clássico do café. Encontra-o em todas as pastelarias.

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